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ÍDOLOS DO FUTEBOL *

Igreja Maradoniana

Interior da Igreja Maradoniana em Rosario-ARG. Créditos da imagem: Joel Richards (sob Creative Commons)

Quando a seleção brasileira pisou o gramado, a imagem da jovem torcedora me chamou a atenção. Com ar de temor, ansiedade e apreensão, chorava copiosamente. As emoções abaladas pela paixão não permitiram à jovem conter as lágrimas diante dos deuses da seleção. Dentro de pouco tempo, o denso ar sagrado da indução coletiva se espalhou pela multidão, enquanto o estádio se transformava num majestoso templo. Os deuses receberam tributo e reverência e ouviu-se um hino de louvor, que em certa estrofe declarava: “Não teme quem te adora a própria morte.” E o culto seguiu com emoção, alegria e reverência até o apito final do segundo tempo.

Uma partida do Brasil em copa do mundo é um momento de adoração, com todos os elementos que compõe o ambiente cúltico. A multidão entrega-se à celebração de corpo e alma, como se a existência dependesse do sagrado momento em que a bola alcança as redes do goleiro adversário. De fato, segundo foi noticiado após o último jogo, um homem morreu devido a um ataque cardíaco causado pela emoção da disputa de pênaltis.

Um ato ou pessoa se torna objeto de culto quando recebe reverência da nossa parte, ao ponto de nos esforçarmos para lhe dar o nosso melhor, e chegamos a correr risco para completar nossa adoração. É por isso que muitos estão dispostos a pagar R$ 2.000,00 a fim de adquirir um ingresso para ver o Brasil em campo. Para a maioria dos brasileiros, essa é uma quantia exorbitante, mas poucos importam, afinal é uma questão de adoração, e todo esforço vale à pena para se aproximar dos deuses. Para investir na família ou dar uma oferta missionária muitos pesariam duas vezes, e poucos fariam a doação. Mas para desfrutar da celebração aos deuses desse mundo, todo esforço vale à pena.

Como todo caso de idolatria, o culto aos desuses do futebol obstrui a racionalidade e degrada o adorador. Abuso de drogas, violência, corrupção e grosseira imoralidade são coisas reprovadas como sendo fatores de destruição de famílias e da sociedade em geral. A mídia concorda, pelo menos em parte, e a sociedade em geral segue no mesmo rumo. No entanto, nada disso se leva em conta quando os transgressores são Maradona, Cristiano Ronaldo, Ronaldinho ou Neymar. Sem a menor vergonha, os deuses do futebol são craques e promotores do pecado, mas ninguém se importa, afinal eles tem a licença dos deuses. A mais flagrante contradição no mundo da adoração futebolística aconteceu recentemente no caso do jogador uruguaio Luiz Soárez. Depois de ser suspenso pelo ato vergonhoso de morder o adversário, foi recebido como herói no seu país, sendo saudado inclusive pelo próprio presidente. Na realidade, muitos contratos publicitários estão sendo proposto para o jogador selvagem. Enquanto a justiça e a ética impõe penalidades para agressores, a idolatria confere grandeza àquilo que nos degrada.

O ensino das Escrituras sobre a idolatria nos mostra que tendemos a ficar parecidos com os deuses que adoramos. Quando Arão liderou o povo no culto ao bezerro de ouro em Êxodo 32, o Senhor diz a Moisés que Israel é um o povo de “dura cerviz” (v. 9). Essas palavras descrevem com precisão a semelhança entre um bezerro, cuja imagem havia sido replicado em ouro, e a nação de Israel no seu momento de rebeldia. Espiritualmente o povo ficou com “pescoço rígido”, ou seja, como um bezerro teimoso e de pescoço enrijecido, o povo seguiu teimosamente seu caminho de pecado. Quando contemplou o Deus santo no templo em Jerusalém, o profeta Isaías terminou adquirindo um pouco mais de santidade. Semelhantemente, quando adorou o bezerro de ouro, o povo de Israel terminou o culto com “feições bovinas.” É a direta relação de semelhança entre adorador e adorado.

A reverência aos ídolos do futebol é uma das causas da miséria que destrói nossa juventude. A razão é simples: você será a imagem e semelhança do ser que você adora. Dirigir embriagado, levar uma vida de depravação, curtir a balada movido a drogas e álcool é parte da vida dos deuses dos gramados. Assim serão também os que os admiram.
Idolatria por parte do mundo não causa espanto. Quem não conhece o verdadeiro Deus, prestará tributo aos deuses falsos. Porém, idolatria por parte dos que foram um dia transportados das trevas para a luz é algo extremamente estranho. Seria como um prisioneiro que foi liberto, mas sente saudades do cárcere e resolve que a prisão é o seu lugar.

Em meio à euforia da copa, vale a pena lembrar a advertência do apóstolo Paulo:
“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.” (Romanos 13.11-12)

A serviço Mestre,

Pr. Jenuan Silva Lira

 

* Texto originalmente publicado pelo autor em sua página no Facebook. Reproduzido aqui com sua permissão.

ATUALIZADO EM 08/07/2014 ÀS 11:40

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