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Oremos pela Janela 10/40

Créditos da imagem: Wikimedia Commons.

“A Janela 10/40 é uma faixa de terra que vai do oeste da África até a Ásia. Subindo, a partir da Linha do Equador, fica entre os graus 10 e 40, formando um retângulo..

Na região vive o maior número de povos não-evangelizados da terra, cerca de 3,2 bilhões de pessoas em 62 países. É ali que estão algumas megalópoles de hoje, ou seja, cidades com uma grande concentração urbana como Tóquio (Japão), Calcutá (Índia), Bagdá (Iraque), Bancoc (Tailândia) entre outras. De cada 10 pobres da Terra, oito estão nessa região, e somente 8% dos missionários trabalham entre eles. É nessa faixa que se concentram os adeptos das três maiores religiões não-cristãs do mundo: islamismo, hinduísmo e budismo.

Na maioria dos países dessa região há falta de receptividade aos cristãos e, em especial, aos missionários que ali atuam. A liberdade religiosa, quando existe, é frágil. Há necessidade de missionários, líderes, pastores e escolas de treinamento para os poucos cristãos existentes. Os crentes precisam ser despertados para uma vida de compromisso com Deus. Há poucos obreiros atuando nos países devido à política de restrições quanto a entrada de missionários. A necessidade de tradução da Bíblia é grande. Os crentes sofrem perseguição e correm risco de vida. A saúde e proteção dos missionários é uma necessidade constante na região chamada de Janela 10/40.”

O texto acima foi extraído do site da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira. Às informações acima a Wikipedia acrescenta que o termo Janela 10/40 foi criado pelo estrategista missionário Luis Bush em 1990, e que o conceito destaca estes três elementos: uma área do mundo com grande pobreza e baixa qualidade de vida, combinadas à falta de acesso a recursos cristãos.

Isso não apenas deve nos levar a orar por esta região, para que o Senhor mande obreiros para a sua seara (Lc 10.2), pois os campos já estão brancos para a ceifa (Jo 4.35), mas também nos fazer refletir: afinal, foi justamente na Janela 10/40 que o cristianismo surgiu e se desenvolveu… Sim, a mensagem do Evangelho chegou primeiro à Índia que à Inglaterra; as Boas Novas foram proclamadas na China antes de o serem no Brasil; e muitos séculos antes de a América do Norte ser evangelizada a Igreja Copta florescia na Etiópia.

Eis aí, pois, uma dupla exortação à oração: por eles e por nós mesmos.

ATUALIZADO (11/11/12 ÀS 16:55)

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A ira de Deus no Novo Testamento

A Queda de Babilônia

A Queda da Nova Babilônia (Apocalipse 18). Gravura de Gustav Doré.

Sim, o Novo Testamento fala da ira de Deus. Sabia disso, caro leitor?

Não, não é apenas no Antigo Testamento que lemos a respeito dela. Tome-se, por exemplo, Romanos 1.18ss; Efésios 2.3; Colossenses 3.6,7 etc. E mais: como se pode ver, aquela fazia mesmo parte da pregação do Evangelho pela Igreja Primitiva e seus apóstolos. Mais referências poderiam ser dadas, mas paro por aqui. Elas podem ser obtidas consultando-se uma concordância bíblica.

Os conceitos errôneos quanto a ira de Deus, um de Seus atributos, obviamente, têm sua origem no arminianismo/pelagianismo largamente disseminado entre os evangélicos da atualidade. Como corretamente observou o expositor da Bíblia A. W. Pink, “é triste ver tantos cristãos professos que parecem considerar a ira de Deus como uma coisa pela qual eles precisam pedir desculpas, ou, pelo menos, parece que gostariam que não existisse tal coisa. Conquanto alguns não fossem longe o bastante para admitir abertamente que a consideram uma mancha no caráter divino, contudo, estão longe de vê-la com bons olhos, não gostam de pensar nisso e dificilmente a ouvem mencionada sem que surja em seus corações um ressentimento contra essa idéia. Mesmo dentre os mais sóbrios em sua maneira de julgar, não poucos parecem imaginar que há na questão da ira de Deus uma severidade terrificante demais para propiciar um tema para consideração proveitosa. Outros dão abrigo ao erro de pensar que a ira de Deus não é coerente com a Sua bondade, e assim procuram bani-la dos seus pensamentos”. A íntegra do texto, cuja leitura, data venia, recomendo com insistência, pode ser obtida clicando-se aqui.

Tudo isso me veio à mente ao ler um artigo cujo autor se propôs a fazer uma síntese da mensagem evangélica (confira você mesmo aqui). Lemos aí que o ” “Evangelho em Síntese”, não fala da ira, justiça, severidade de deus (sic)”. E tome citações fora de contexto sobre o amor de Deus, com João 3.16 à testa, como não poderia deixar de ser, pois isso faz parte do que o evangelicalismo atual entende como exposição das Boas Novas.

A propósito, o leitor sabia que, no mesmo capítulo 3 do Evangelho de João, o próprio Senhor Jesus fala da ira de Deus? Isso mesmo: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (Jo 3.36). E de modo algum esse versículo contradiz o famosíssimo João 3.16, pois o “mundo” que “Deus amou de tal maneira” a ponto de dar Seu Filho Unigênito se refere, na verdade, a pessoas de todas as etnias, procedências, classes sociais etc. A análise do contexto nos ajuda a perceber isso claramente: o Mestre estava se dirigindo a um ilustre representante da seita dos fariseus, um grupo de judeus exclusivistas, os quais se julgavam privilegiados por Deus e os únicos justos da terra, desprezando os de fora de seu grupo e os reputando malditos (Jo 7.49). Tanto que se recusaram a se submeter ao batismo de João (Mt 3.1-12), como nosso Senhor denuncia a Nicodemos (vide vv. 5 e 11).

Portanto, a proclamação fiel do Evangelho aos pecadores jamais poderá negligenciar a grande verdade NEOTESTAMENTÁRIA de que eles estão debaixo da cólera do Altíssimo e que, portanto, é necessário que se arrependam de seus pecados (Lc 13.1-5; At 17.30,31), pois só assim conhecerão a graça salvadora de Deus (Tt 2.11-14; 3.3-7). Como o apóstolo Paulo, temos que pregar “todo o conselho de Deus” (At 20.27).


Sermão sobre Tito 2.11-14

Domingo passado tive o grande privilégio de ser o pregador no culto à noite de minha igreja. Compartilho com os irmãos leitores o texto pregado na ocasião. Minha oração é para que ele seja de utilidade para quem o ler. Quem quiser pregá-lo de novo sinta-se à vontade para fazê-lo, desde que seja para a edificação do Corpo de Cristo e para a glória de Seu nome. Comentários bíblicos como os de Calvino, Barnes, Gill, Henry, Poole e Clarke me forneceram grandes subsídios na preparação do sermão, mas procurei sempre me ater às Escrituras, as quais foram minha principal fonte de consulta.
Para acessá-lo, basta clicar no ícone acima, à esquerda.


Evangelho proclamado

Compartilho aqui um material de evangelismo empregado por minha igreja em atividade de EBD aqui na região. Trata-se de uma espécie de apostila planejada para um curso breve de três aulas dominicais, numa entidade assistencial da cidade, com exposição do plano de salvação. Por misericórdia e graça de Deus sou o professor e o elaborador do texto. Se alguém desejar reutilizá-lo para a Causa de Cristo, sinta-se à vontade para fazê-lo. Eventuais adaptações também estão liberadas, desde que não comprometam o teor do original. Para acessá-lo, basta clicar em aqui.

Ah, as críticas também são benvindas… 😀

ATUALIZAÇÃO (26/11/2011 às 22h23): Inseri quatro referências bíblicas adicionais, para reforçar a inutilidade das obras para obtenção de méritos diante de Deus e para salientar mais o papel do sangue de Jesus na obra expiatória.


Reflexão para a Páscoa: Filmes sobre a Paixão de Cristo

Tróleibus russo

Tróleibus russo com propaganda do filme "Jesus". Créditos: Dave Siberia (sob Creative Commons).

Chegamos a uma das duas épocas do ano em que o Ocidente celebra, de forma distorcida que seja, sua herança cristã, isto é, a Semana Santa. A outra, claro, é o Natal. Obviamente, em ambas as ocasiões Jesus Cristo tem que dividir a atenção, respectivamente, com o coelhinho da Páscoa e o Papai Noel. “Dividir a atenção” é generosidade minha, porque, na verdade, tanto num como no outro caso, é manifesto que essas duas figuras (uma, oriunda do primitivo paganismo europeu; a outra, do paganismo moderno de Mamom) é que são centrais mesmo, infelizmente. Ainda assim, tais datas constituem brechas proporcionadas pelo homem dos dias correntes que podem e devem ser mais bem aproveitadas para a evangelização por parte das igrejas e indivíduos comprometidos com a proclamação das Boas Novas.

Nesse sentido, nesses tempos em que se relembra a paixão e morte de Jesus Cristo, alguns cristãos sinceros e pragmáticos têm entendido que filmes a respeito da Sua vida e/ou crucificação são auxílios valiosos para se alcançar os incrédulos com a mensagem de salvação. E, além de promoverem a exibição daqueles, também se alegram com o fato de a TV secular transmitir tais películas, entendendo que, mesmo por vias tortas, também se trata de um meio válido de se divulgar mais acerca do Senhor e de sua obra pelos pecadores. Todavia, respeitosamente discordo desses irmãos, e tenho que concordar com este comentário de Charles Terpstra sobre o aclamado “A Paixão de Cristo” (2004), de Mel Gibson:

“‘A Paixão de Cristo’, filme de Mel Gibson, objetiva contar, por meio de personagens e imagens dramáticas, a narrativa bíblica do sofrimento de Jesus Cristo. Com detalhamento gráfico ele aponta ao leitor o imenso e incrível sofrimento físico que Jesus suportou nas últimas doze horas de sua vida.

A maioria dos cristãos e igrejas professos estão excitados com o filme e com as perspectivas de evangelizar o mundo. Muitos líderes evangélicos e católicos romanos saúdam-no como a maior oportunidade de difundir o evangelho desde a era apostólica! Agora, finalmente, a mensagem do sofrimento e morte de Cristo pode alcançar os perdidos e ganhá-los para o Senhor! O povo tem que ver tal filme! Será uma experiência transformadora de vidas!

Nós, porém, não estamos excitados. Esse filme tem muitas incorreções e adições que distorcem o verdadeiro relato do sofrimento de Cristo. (Afinal de contas, trata-se de uma película católica romana endossada pelo papa.) Na verdade, condenamos o filme e instamos a todos os verdadeiros cristãos para que NÃO o vejam. Fazemos isso por três grandes motivos.

Primeiro, é blasfemo retratar o sofrimento e morte de Cristo dessa forma. Cremos que Jesus Cristo foi não apenas um homem real, mas também Deus verdadeiro, o eterno Filho de Deus em carne humana! Ninguém pode retratar a esse Cristo, seja por meio de um ator, seja por meio de qualquer imagem física. Agir assim é blasfemar ao Filho de Deus e negar Seu grande poder e glória. Isso é o que Deus quer dizer por meio do segundo mandamento que deu — nenhuma imagem de escultura dEle, e isso inclui Seu Filho.

Segundo, o filme fracassa em revelar o coração do evangelho, a expiação de uma vez por todas operada por Cristo e Seu sacrifício propiciatório. O sofrimento dEle não foi meramente físico; foi principalmente espiritual. Foi um sofrimento na alma e no corpo pela ira eterna de Deus por causa dos pecados de Seu povo eleito. Desse ponto de vista o sofrimento de Cristo não deve simplesmente provocar sentimentos de compaixão por ele. Deve quebrantar nossos empedernidos corações e nos levar ao arrependimento e à fé nEle!

Terceiro, o filme não é o meio que Deus ordenou para a salvação dos pecadores. Decerto somos a favor da mensagem da paixão de Cristo ser proclamada ao mundo. Porém, devemos usar o método de Deus para realizar isso: a pregação de Cristo crucificado através de Seu ministério oficial instituído na igreja. Isso é que é para ser levado a termo pela igreja, e o próprio Cristo a chamou para tal (Mt 28.20). É tolice para o homem nesses dias modernos, de alta tecnologia e dependente do que é visual, tal como era tolice nos dias dos apóstolos. Contudo, a pregação é poder e sabedoria de Deus para a salvação daquele que crê, seja judeu, seja gentio (1Co 1.18-24)”. (para acessar o texto original, clique aqui.)

Como se não bastasse, há outros problemas em se retratar a paixão de Cristo da maneira como essas produções cinematográficas o fazem. Apesar de originalmente não ter tais filmes em vista aqui, são oportunas estas sábias palavras de W. C. Taylor (‘Doutrinas’. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1952. Págs. 101 e 102):

“O corpo de Jesus era parte de sua personalidade, com a mente, a alma — o espírito humano, enfim, e sua natureza divina. Teve seu lugar na morte redentora — lugar proporcional ao lugar que ocupava na sua pessoa e vida. É importante, mas não para eclipsar o resto de sua pessoa e natureza. ‘Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro … e pelas suas feridas fostes sarados’, 1Pe 2.24. Notai o contraste: ‘ele mesmo’, a pessoa total, ‘em seu corpo’, naturalmente a parte de sua pessoa que seria a esfera da morte, a qual era, por sua vez, o oferecimento de si mesmo a Deus, como oblação e sacrifício por nossos pecados, com todo o infinito valor de sua pessoa.

O sofrimento físico de Jesus era pouco, em toda a sua vida. Morreu aos 33 anos, em pleno vigor de uma encarnação perfeita. Não consta nem dor nem doença em sua vida, depois da infância. As dores e doenças que ele sentiu eram alheias, ‘as nossas dores e enfermidades’, Is 53.4. Também nunca recebeu, que eu saiba, golpe de dedo humano contra si, até a manhã do dia do Calvário. Banqueteara com os seus até meia-noite. O Getsêmane não durou senão pouco tempo. Era sofrimento intenso mas breve. Não o reduziu à magreza e miséria das pinturas medievais. A coroa de espinho, os açoites e flagelos, os cravos nas mãos e pés, a febre, a sede, o sofrimento moral, a vergonha que ele ‘desprezou’, Hb 12.2, fazem uma agonia tremenda, mas terminou no mesmo dia em que começou. Há homens no campo de batalha e nos hospitais, e nos casos de câncer, artrite e outras moléstias, que sofreram e sofrem, num só dia, muito mais, fisicamente, do que Jesus sofreu no dia do Calvário. E pensai nas desumanas torturas usadas na ‘liquidação’ de muitos em terras totalitárias. O Novo Testamento não exagera esses sofrimentos, nem lhes dá a suprema virtude na morte que nos redime.

E não são apenas as seitas católicas que dão ao sofrimento corpóreo de Jesus valor desproporcional. Protestantes que lhes acompanham na ‘Semana Santa’ e nas suas superstições e que pregam como o clero, são réus da mesma falsificação do cristianismo e exploração do sentimentalismo fácil do povo. Fui ouvir famoso pregador metodista na minha terra, em 1945. Ele pregou sobre a cruz. De tal maneira pintou seus horrores físicos, que um soldado forte fugiu da reunião. Em frente de mim estavam sentadas umas senhoras. A mão de uma dessas ouvintes segurava o encosto do banco e me parecia que suas unhas pintadas iam cravar-se na madeira do banco. Temia eu que ela tivesse um ataque ali. Acho detestável semelhante pregação. Nada tem dessa objetividade dos Evangelhos em sua história, doutrina e interpretação da morte do Salvador. ‘Cristo morreu SEGUNDO AS ESCRITURAS’ — eis o evangelho genuíno, não segundo o exagero e exploração de elementos da história que as Escrituras não salientam fora da sua proporção veraz na narrativa”.

Além das objeções levantadas por esses dois teólogos, também desaprovo essa exploração dos sofrimentos de nosso Senhor pelo fato de termos parentesco divino com Ele (Mc 3.33-35; Rm 8.29): afinal, algum de nós que tivesse um querido familiar seu barbaramente seviciado e executado gostaria de ficar assistindo a tais cenas, ou estimulando a outros para que o façam? Creio que não.

Espero que este meu modesto artigo seja de utilidade para a reflexão sobre o assunto em mais esta Páscoa que se avizinha. E não esqueçamos de que “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5.7): portanto, é essa gloriosa Pessoa, não a data instituída pelo calendário litúrgico de Roma, que devemos focalizar.


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