Algumas coisas que você precisa saber sobre os batistas

Primeira igreja batista norte-americana

A primeira igreja batista em solo americano, organizada em 1638 por Roger Willians. Créditos: Daniel Case (sob Creative Commons)

O objetivo do presente texto é esclarecer alguns pontos doutrinários sustentados pelos batistas e que, muitas vezes, são mal interpretados por nossos irmãos de outras denominações. Tem também a finalidade de dirimir certas dúvidas e desfazer certos preconceitos. Assim, sem qualquer pretensão proselitista, ponho-me agora a discorrer sobre tais pontos, procurando ser o mais objetivo e claro possível nessa minha tentativa.

A forma do batismo é uma das características distintivas dos batistas?

Não. Os crentes agnominados batistas nunca tiveram na adoção do mergulho (a tradução do termo grego batismo) um de seus distintivos. Tampouco constituem uma seita que tem no batismo por imersão uma nova forma de sacramento. Uma simples leitura de textos como a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira (clique aqui) ou a Confissão de Fé de Londres de 1689 (clique aqui) basta para comprovar isso.  Na verdade, não foram eles que se intitularam “batistas”: este epíteto foi dado pela população e pelas autoridades, pois foi justamente a forma de batismo que mais chamou a atenção do povo de fora.

Aliás, historicamente, outros grupos também terminaram recebendo denominações que lhe foram dadas por outros, e.g., “protestantes”, “huguenotes”, “puritanos” e mesmo “cristãos”.

Por outro lado, quem frequenta ou já frequentou uma igreja batista não me deixa mentir: a forma de batismo é uma das doutrinas MENOS PREGADAS ali (é raramente pregada, mesmo). E atestamos que as pregações de nossos púlpitos se ocupam muito mais de temas como graça, salvação, santidade, mordomia etc. Há várias tendências teológicas dentro da denominação, tenho que reconhecer, mas a quantidade de espaço que se deve dedicar ao mergulho nos sermões é algo consensual entre nós.

Por que os batistas só batizam adultos?

Não, os batistas não batizam apenas adultos. Não cremos nem ensinamos que o batismo deva se limitar a esses, mas sim que ele deve ser administrado única e exclusivamente aos crentes em Jesus Cristo (para as referências bíblicas, cf. os textos indicados nos links acima).

Os batistas não aceitam o calvinismo?

Há setores na denominação que o abraçam, mas outros o rejeitam. John Bunyan (1628-1688, autor do famoso livro “O Peregrino”), Alexander MacLaren (1826-1910, grande expositor da Bíblia), Charles H. Spurgeon (1834-1892, chamado de o “Príncipe dos Pregadores”) e John Gill (1697-1771, eminente erudito hebraísta) são exemplos de vultos batistas do passado que defendiam as doutrinas da graça. No presente, nomes como John Piper (pastor e escritor), Albert Mohler (presidente do prestigioso Seminário Teológico Batista do Sul dos EUA) e Erroll Hulse (pastor e conferencista sul-africano radicado na Inglaterra) destacam-se entre os batistas reformados.

A Convenção Batista Brasileira é uma associação de igrejas?

Não, a CBB é apenas uma associação constituída por elas com vistas a se alcançar certos fins que, para uma igreja individual, seriam muito difíceis ou mesmo impossíveis (difusão de literatura religiosa, promoção de missões transculturais, empreendimentos de ação social de grande envergadura etc.) Não há igrejas batistas filiadas à Convenção Batista Brasileira. Como a Comunhão Reformada Batista no Brasil, trata-se ela de uma associação de indivíduos.

Finalizando, espero que este meu texto tenha ajudado a clarificar certas questões levantadas por fieis de outras confissões, demonstrando que não constituímos um “partido do batismo”, mas sim um grupo de discípulos de Jesus que tem a Bíblia como única regra de fé e prática. Discípulos que se juntam a outros irmãos que, espalhados nas mais diversas denominações, tenham também o mesmo propósito.

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4 respostas para “Algumas coisas que você precisa saber sobre os batistas

  • Nelson Ávila

    Olá irmão Vanderson,
    O texto, de fato, principalmente na questão do batismo, foi bem ponderado, sem atacar diretamente outras confissões como o Presbiterianismo (do qual faço parte), por exemplo. Poderíamos discutir sobre a questão do significado do termo, ou sua aplicação na história (uma consulta a Didaquê, segundo o pr. Franklin Ferreira – Batista – põe fim as discussões entre batistas e presbiterianos); todavia, entendo que seu objetivo é simplesmente apresentar as diferenças entre os batistas e as demais confissões, sem, contudo, atestar separatismo ou partidarismo (e superioridade), e por este motivo venho elogiar tal postagem e declarar que algumas das personalidades mais importantes para a difusão da fé reformada repousam ou encontram-se entre os batistas. Deus o abençoe e continue a dar-lhe sabedoria.

    Obs: Não sei como anda a convenção batista em seu Estado, mas aqui no Ceará está meio desacreditada. Sem falar na esmagadora (quase unânime) posição a favor do arminianismo, problemas como má administração contribuem para o descrédito.

    • Vanderson M. da Silva

      Fico muito grato por mais esse seu elogio, Ir. Nelson. É um incentivo a mais para eu buscar me aprofundar mais no estudo das questões que me proponho debater aqui. O objetivo deste ‘post’ foi o de esclarecer certas concepções equivocadas que irmãos de outras denominações fazem a respeito de nós, batistas.

      Sobre as convenções batistas, infelizmente, estão mesmo caindo em descrédito. Mas penso eu que isso é também reflexo de algo maior, da crise que o protestantismo em geral atravessa, no País e no mundo, com problemas novos se somando a problemas antigos que não foram resolvidos e agravando ainda mais o quadro. O humanismo tem penetrado firme em todos os arraiais, sejam evangélicos ou reformados, sejam tradicionais ou pentecostais, sejam “igrejados” ou “desigrejados”. Pretendo um dia abordar neste blog um erro doutrinário que cada vez mais ganha espaço dentro da CBB: a tal da “Missão Integral”, que nada mais é do que o velho “evangelho social” reciclado.

      Um abraço e parabéns pelos seus esforços de traduzir e disponibilizar em seu blog preciosos textos reformados!

  • Renato Alves Miranda

    Isso é ser cristão BATISTA meus parabéns pelo texto. Sobre o pensamento bastita em questão penso que devemos voltar o nosso olhar, para o que os batistas, realizaram como povo evangélico no passado ; que foi de grande contribuição teológica e missionaria.
    seminarista: Renato Alves Miranda

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