Suposta contradição no livro de Daniel

Daniel

"Daniel na Cova dos Leões" (Gustav Doré)

A graça e a paz do Senhor Jesus aos irmãos!

Neste meu ‘post’ gostaria de tratar de um assunto que eu, como professor da EBD aqui na minha igreja, tive que abordar há uns três anos. Diz respeito a um texto infeliz de uma das lições da revista trimestral “Compromisso”, da JUERP (para os que ainda não sabem, a editora oficial dos batistas brasileiros, outrora Casa Publicadora Batista), publicação para a faixa etária dos adultos. Na edição do quarto trimestre de 2007 (sobre os livros de Jeremias, Ezequiel e Daniel), o autor, Pr. Alessandro Rodrigues Rocha, depois de afirmar que “o livro de Daniel é complexo”, sustenta que ele foi “organizado … por meio de um processo de compilação de textos diferentes e reunidos num só. Afora isso, existem algumas contradições como, por exemplo, o fato de em Daniel 1.18,19, o rei Nabucodonozor conhecer Daniel e, em 2.25, já não o conhece” (pp. 39, 40, grifo meu).

Na época, enviei e-mail protestando contra essa posição do autor. À luz da Bíblia, a Palavra de Deus, demonstrei o equívoco daquela asseveração. Mas minha mensagem jamais foi publicada na seção de leitores da revista (como, aliás, em outras ocasiões em que manifestei minha condenação e refutação a outras opiniões antibíblicas dos escritores da “Compromisso”, que dá anormal acolhida a teólogos descompromissados com a ortodoxia bíblica). Sendo assim, aproveito agora o ensejo para publicar as (pelo menos) três explicações plenamente razoáveis então aduzidas para harmonizar Dn 1.18,19 e 2.25 (no ponto 1 sou devedor ao Pr. Cláudio Ferreira da Silva, ex-membro da minha igreja e companheiro meu de docência naquele tempo):

  1. Era normal a um monarca como Nabucodonosor ter que lidar com grande número de gente ao longo dos anos, principalmente, é claro, de sua corte. É comum pastores e professores, por exemplo, passarem pelo constrangimento de, ao serem cumprimentados por pessoas que lhes perguntam se se se lembram delas, terem que responder que não, dado os grandes e variados auditórios a que, habitualmente, precisam se dirigir.
  2. Outra possibilidade é a de o imperador não mais reconhecer a fisionomia dele devido ao envelhecimento natural dos anos. Na adolescência mesmo, em curto espaço de tempo, já ocorrem grandes mudanças, e é normal estranharmos a aparência de um adolescente que tínhamos visto há coisa de três anos atrás.
  3. Uma outra solução também plausível é que Nabucodonosor, em 2.25ss, na verdade, é surpreendido ao saber do fato de Daniel (a quem conhecia muito bem — 1.18,19) ter o dom de interpretar sonhos, algo que jamais poderia esperar de alguém de fora do círculo dos “sábios” caldeus.

Como se vê, há sólidas razões para o estudante da Palavra manter-se, aqui como em outros pontos bíblicos difícieis, fiel ao princípio da inerrância das Escrituras, sem que precise capitular ao liberalismo teológico e a outros “ismos” contrários à Sã Doutrina.

Graças a Deus que me proporciona este inestimável espaço na web para dar minha mui modesta contribuição para a edificação do Seu povo, e também pela valiosa ferramenta que é o WordPress!

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4 respostas para “Suposta contradição no livro de Daniel

  • Anna Barros

    Mto boa explicação, Vanderson!

    Há ainda de se destacar que o Senhor Deus possui perfeição e exatidão na Sua Palavra e, certamente, orientou os santos homens da Igreja na organização da Bíblia (ordem dos livros, capítulos…) para que houvesse compreensão por parte do Seu povo.

    Abs,
    Anninha

  • Nelson Ávila

    Olá Vanderson, esse é um dos típicos exemplos da expansão do pensamento liberal nos arraiais evangelicais. O método histórico-crítico têm invadido seminários e recebido grande aceitação por sua suposta abordagem “científica”, no entanto, longe de “imparcial” e “não-dogmático”, tal método é na verdade fruto de uma doutrina “sólida” e veementemente sustentada nos círculos liberais e neo-ortodoxos; é fruto do modernismo e relativismo que, em nome da “deusa-razão”, luta para apresentar um mundo sem Deus, relegado ao acaso.

    • Vanderson M. da Silva

      Deus o abençoe por seu ‘post’, irmão Nelson. Com efeito, lamentavelmente, o falido liberalismo teológico e a neo-ortodoxia, sua sucedânea, ainda gozam de prestígio em muitos seminários brasileiros. Isso, mesmo depois de desmoralizados no exterior. Louvado seja o Senhor, porém, pelo fato de o estudante da Bíblia, ainda que sem qualquer formação teológica, ter em suas mãos arma poderosíssima, apta para demolir a suposta fortaleza das posições propugnadas pelos liberais e neo-ortodoxos.

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