Ariano Suassuna e a teoria da evolução

Abaixo, vídeo em que o escritor católico de Pernambuco, falecido ontem, refuta o evolucionismo de forma irretorquível e magistral.

Coincidentemente, tanto ele como Rubem Alves, morto no sábado passado, foram grandes nomes da intelectualidade brasileira criados na igreja presbiteriana e que depois a deixaram. Aliás, sobre a contribuição literária dos presbiterianos nacionais (de cuja lista NÃO fazem parte esses dois vultos, diga-se), há um interessante artigo de Alderi Souza de Matos: http://www.mackenzie.com.br/10982.html


ÍDOLOS DO FUTEBOL *

Igreja Maradoniana

Interior da Igreja Maradoniana em Rosario-ARG. Créditos da imagem: Joel Richards (sob Creative Commons)

Quando a seleção brasileira pisou o gramado, a imagem da jovem torcedora me chamou a atenção. Com ar de temor, ansiedade e apreensão, chorava copiosamente. As emoções abaladas pela paixão não permitiram à jovem conter as lágrimas diante dos deuses da seleção. Dentro de pouco tempo, o denso ar sagrado da indução coletiva se espalhou pela multidão, enquanto o estádio se transformava num majestoso templo. Os deuses receberam tributo e reverência e ouviu-se um hino de louvor, que em certa estrofe declarava: “Não teme quem te adora a própria morte.” E o culto seguiu com emoção, alegria e reverência até o apito final do segundo tempo.

Uma partida do Brasil em copa do mundo é um momento de adoração, com todos os elementos que compõe o ambiente cúltico. A multidão entrega-se à celebração de corpo e alma, como se a existência dependesse do sagrado momento em que a bola alcança as redes do goleiro adversário. De fato, segundo foi noticiado após o último jogo, um homem morreu devido a um ataque cardíaco causado pela emoção da disputa de pênaltis.

Um ato ou pessoa se torna objeto de culto quando recebe reverência da nossa parte, ao ponto de nos esforçarmos para lhe dar o nosso melhor, e chegamos a correr risco para completar nossa adoração. É por isso que muitos estão dispostos a pagar R$ 2.000,00 a fim de adquirir um ingresso para ver o Brasil em campo. Para a maioria dos brasileiros, essa é uma quantia exorbitante, mas poucos importam, afinal é uma questão de adoração, e todo esforço vale à pena para se aproximar dos deuses. Para investir na família ou dar uma oferta missionária muitos pesariam duas vezes, e poucos fariam a doação. Mas para desfrutar da celebração aos deuses desse mundo, todo esforço vale à pena.

Como todo caso de idolatria, o culto aos desuses do futebol obstrui a racionalidade e degrada o adorador. Abuso de drogas, violência, corrupção e grosseira imoralidade são coisas reprovadas como sendo fatores de destruição de famílias e da sociedade em geral. A mídia concorda, pelo menos em parte, e a sociedade em geral segue no mesmo rumo. No entanto, nada disso se leva em conta quando os transgressores são Maradona, Cristiano Ronaldo, Ronaldinho ou Neymar. Sem a menor vergonha, os deuses do futebol são craques e promotores do pecado, mas ninguém se importa, afinal eles tem a licença dos deuses. A mais flagrante contradição no mundo da adoração futebolística aconteceu recentemente no caso do jogador uruguaio Luiz Soárez. Depois de ser suspenso pelo ato vergonhoso de morder o adversário, foi recebido como herói no seu país, sendo saudado inclusive pelo próprio presidente. Na realidade, muitos contratos publicitários estão sendo proposto para o jogador selvagem. Enquanto a justiça e a ética impõe penalidades para agressores, a idolatria confere grandeza àquilo que nos degrada.

O ensino das Escrituras sobre a idolatria nos mostra que tendemos a ficar parecidos com os deuses que adoramos. Quando Arão liderou o povo no culto ao bezerro de ouro em Êxodo 32, o Senhor diz a Moisés que Israel é um o povo de “dura cerviz” (v. 9). Essas palavras descrevem com precisão a semelhança entre um bezerro, cuja imagem havia sido replicado em ouro, e a nação de Israel no seu momento de rebeldia. Espiritualmente o povo ficou com “pescoço rígido”, ou seja, como um bezerro teimoso e de pescoço enrijecido, o povo seguiu teimosamente seu caminho de pecado. Quando contemplou o Deus santo no templo em Jerusalém, o profeta Isaías terminou adquirindo um pouco mais de santidade. Semelhantemente, quando adorou o bezerro de ouro, o povo de Israel terminou o culto com “feições bovinas.” É a direta relação de semelhança entre adorador e adorado.

A reverência aos ídolos do futebol é uma das causas da miséria que destrói nossa juventude. A razão é simples: você será a imagem e semelhança do ser que você adora. Dirigir embriagado, levar uma vida de depravação, curtir a balada movido a drogas e álcool é parte da vida dos deuses dos gramados. Assim serão também os que os admiram.
Idolatria por parte do mundo não causa espanto. Quem não conhece o verdadeiro Deus, prestará tributo aos deuses falsos. Porém, idolatria por parte dos que foram um dia transportados das trevas para a luz é algo extremamente estranho. Seria como um prisioneiro que foi liberto, mas sente saudades do cárcere e resolve que a prisão é o seu lugar.

Em meio à euforia da copa, vale a pena lembrar a advertência do apóstolo Paulo:
“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.” (Romanos 13.11-12)

A serviço Mestre,

Pr. Jenuan Silva Lira

 

* Texto originalmente publicado pelo autor em sua página no Facebook. Reproduzido aqui com sua permissão.

ATUALIZADO EM 08/07/2014 ÀS 11:40


O mais antigo hino cristão fora da Bíblia

No vídeo acima, aquele que é o mais antigo hino cristão fora da Bíblia de que se tem registro. No Novo Testamento há algumas passagens que, suspeitam os estudiosos, teriam sido hinos ou trechos de hinos da Igreja Primitiva (Rm 11.33-36; Ef 1.3-14; Fp 2.6-11; Cl 1.15-20; 1Tm 3.16; 6.15-16; 2Tm 2.11-13); porém, se o foram, não são mais entoados pelo povo de Deus.

O Phos Hilaron (Φῶς Ἱλαρόν) (“Luz Jubilosa”) foi originalmente escrito em grego “koiné” (o mesmo grego do NT, falado na época dos apóstolos). Posteriormente traduzido para outros idiomas, é cantado até hoje nas igrejas ortodoxa grega, católica, anglicana/episcopal e luterana. Pelo que nos informa Basílio, o Grande, bispo de Cesaréia (329?-379), sua origem remontaria à época por volta de 150 d.C. — portanto, um hino já considerado tradicional no tempo daquele clérigo. Ainda, teria sido entoado nas catacumbas pelos primeiros cristãos, e aparentemente Justino (100 – 165 d.C.) cita sua letra no diálogo com Trifo. Segundo a tradição, o bispo e mártir Atenógenes, executado no reinado do imperador romano Diocleciano em 305 d.C., teria cantado o Phos Hilaron nas chamas da fogueira em que foi supliciado.

Apesar da origem helênica, o texto do hino é claramente judaico, pois remete ao calendário dos hebreus, em que o dia começa com o nascer e termina com  o por do sol. Uma análise competente do Phos Hilaron pode ser encontrada aqui.

A letra original grega:

Φῶς ἱλαρὸν ἁγίας δόξης ἀθανάτου Πατρός, οὐρανίου, ἁγίου, μάκαρος, Ἰησοῦ Χριστέ, ἐλθόντες ἐπὶ τὴν ἡλίου δύσιν, ἰδόντες φῶς ἐσπερινόν, ὑμνοῦμεν Πατέρα, Υἱόν, καὶ ἅγιον Πνεῦμα, Θεόν. Ἄξιόν σε ἐν πᾶσι καιροῖς ὑμνεῖσθαι φωναῖς αἰσίαις, Υἱὲ Θεοῦ, ζωὴν ὁ διδούς· διὸ ὁ κόσμος σὲ δοξάζει.
Φῶς ἱλαρὸν ἁγίας δόξης ἀθανάτου Πατρός, οὐρανίου, ἁγίου, μάκαρος, Ἰησοῦ Χριστέ, ἐλθόντες ἐπὶ τὴν ἡλίου δύσιν, ἰδόντες φῶς ἐσπερινόν, ὑμνοῦμεν Πατέρα, Υἱόν, καὶ ἅγιον Πνεῦμα, Θεόν. Ἄξιόν σε ἐν πᾶσι καιροῖς ὑμνεῖσθαι φωναῖς αἰσίαις, Υἱὲ Θεοῦ, ζωὴν ὁ διδούς· διὸ ὁ κόσμος σὲ δοξάζει.

A versão da Igreja Lusitana:

Avé, alegre luz, puro esplendor
da gloriosa face paternal,
Avé, Jesus, bendito Salvador,
Cristo ressuscitado e imortal.

No horizonte o sol já declinou,
brilham da noite as luzes cintilantes:
ao Pai, ao Filho, ao Espírito de amor
cantemos nossos hinos exultantes.

De santas vozes sobe a adoração
prestada a Ti, Jesus, Filho de Deus.
Inteira, canta glória a criação,
o universo, a terra, os novos céus.

Malgrado sua popularidade apenas em igrejas fortemente litúrgicas, achei interessante tratar dessa antiquíssima composição aqui no blog. Afinal, numa era em que até em denominações tradicionais predomina a contemporânea “gospel music”, de inspiração carismática, liberal e gnóstica, creio firmemente que a redescoberta de nossa herança hinológica cristã é um caminho para o resgate do autêntico culto a Deus em nossas comunidades.

Fontes consultadas: Smith Creek Music , Wikipedia, Episcopal Church


As portas do inferno não prevaleceram… (3)

igreja_reformada_francesa1

Acima e abaixo, fotos da Igreja Reformada Francesa em Königsberg, na Alemanha (hoje Kaliningrado, na Rússia). Erigido entre 1733 e 1736, o templo serviu à comunidade huguenote local e, por isso, os sermões eram apenas em francês (os huguenotes eram então duramente perseguidos na França). Não obstante, sua construção foi financiada, em grande parte, pelo próprio rei Frederico Guilherme I da Prússia, calvinista,* em cuja presença a igreja foi dedicada, em 29 de julho de 1736.

No começo de 1817 passou a haver também pregações em alemão toda quarta semana do mês, mas em 1831 os sermões voltaram a ser exclusivamente em francês.

Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, a edificação foi destruída. Com o território da Prússia Oriental anexado à União Soviética depois do conflito, a perspectiva de reconstrução do templo desapareceu: suas ruínas foram demolidas entre 1967 e 1968 por ordem do governo comunista da época. E a igreja desapareceu definitivamente.

Fonte: Wikipedia. Imagens: Wikimedia Commons.

* ATUALIZADO (08/06/2013 às 20h40).

igreja_reformada_francesa2


Bíblia de Genebra, ainda sem versão em português

Bíblia de Genebra

Edição de 1581 da Bíblia de Genebra. Créditos da imagem: Liam Quin (Wikimedia Commons)

Amado irmão leitor, graça e paz! Depois de um longo período de ausência, estou de volta para blogar, graças a Deus!

Hoje queria tratar de um assunto que tem me incomodado já há algum tempo. Refiro-me à comercialização em nosso País da bem conhecida Bíblia de Estudo de Genebra publicada pela Editora Cultura Cristã (ligada à Igreja Presbiteriana do Brasil) e pela Sociedade Bíblia do Brasil. Essa edição das Escrituras vem gozando de crescente aceitação entre o povo de Deus, e não apenas entre os reformados, que já abreviaram o nome dela para “Bíblia de Genebra”… E é aí que se faz necessário um esclarecimento.

Pois sabia o irmão leitor que essa “Bíblia de Genebra” NÃO é a versão portuguesa da célebre Bíblia de Genebra original inglesa? Isso mesmo: ela não é a tradução daquela edição tão querida dos reformadores e puritanos (confira aqui sua história). Se alguém quiser comprovar isso por si próprio, é só clicar aqui. Por outro lado, uma versão francesa (ainda incompleta) está disponível aqui.

Bem que a Editora Cultura Cristã e a Sociedade Bíblica do Brasil poderiam deixar isso mais bem explicitado para o consumidor. Não estou dizendo que elas deliberadamente estejam induzindo os crentes a erro. Porém, irmãos reformados com quem tenho conversado, e que têm ou desejam ter aquela obra,  surpreendem-se quando lhes informo sobre tal fato. Fica óbvio que a denominação Bíblia de Estudo de Genebra os induz a acharem que se trata mesmo da edição vernácula da Bíblia de Genebra. Por outro lado, a Wikipédia em português tem ajudado a aumentar a confusão com este texto equívoco aqui.

Ainda assim, a despeito desse meu senão, essa bíblia comentada da Cultura Cristã/SBB parece ser, de fato, uma interessante opção de compra, dada a sua aceitação por teólogos reformados como o batista Franklin Ferreira, que fez uma resenha elogiosa do livro, a qual pode ser acessada aqui. Mas, ainda assim, confesso que gostaria muito de um dia ver publicada em nosso idioma a Bíblia de Genebra sem aspas. 😉

ATUALIZADO (01/02/2013 ÀS 8H59)


Jan Hus

Acima, vídeo daquele que, junto com os padres Girolamo Savonarola (italiano, 1452-1498) e John Wycliffe (inglês, 1328-1384), foi um dos maiores percursores do grande movimento chamado Reforma Protestante, iniciada pelo monge agostiniano alemão Martinho Lutero no século XVI de nossa era. Mais informações sobre Hus podem ser obtidas clicando-se aqui.

ATUALIZAÇÃO (15/12/2012, 12:37):  Uma frase de Jan Hus para a nossa reflexão: “Eles pensavam poder abafar e vencer a verdade, que é sempre vitoriosa, ignorando que a própria essência da verdade é que, quanto mais quisermos comprimi-la, mais ela cresce e se eleva.”


Quando foram concluídos os livros do Novo Testamento?

cerco_jerusalem_ano_70

O Cerco e a Destruição de Jerusalém pelos Romanos sob o Comando de Tito, 70 d.C. Óleo sobre tela, de David Roberts, 1850. (Wikimedia Commons)

Certa feita, um pastor de minha denominação, ao nos ministrar um estudo sobre as Epístolas Universais, fez uma declaração que me pareceu tanto ousada quanto plausível. Para ele, TODOS os livros do Novo Testamento, sem exceção, foram escritos ANTES da queda de Jerusalém no ano 70 d.C. E ele se baseava no pressuposto de que seria impossível nenhum texto mencionar o ocorrido, caso tivesse sido escrito durante aquele marcante evento ou depois desse, dada a sua magnitude e repercussão. Ainda segundo o pastor, seria algo como um episódio das dimensões do famigerado “11 de setembro de 2001” não receber menções da imprensa desde então.

Faz todo o sentido. Evidentemente, porém, o modernista e o liberal não aceitam tal tese. Eles desvestem o relato escriturístico do seu sobrenatural, e são descrentes do poder da influência divina sobre os escritores sagrados para assegurar à Bíblia a inerrância e a infalibilidade alegadas pela ortodoxia. Assim, para eles os livros do NT passaram por várias revisões e adaptações por cristãos que até se valeram do nome dos próprios apóstolos, já mortos, para legitimarem seus escritos (seria o caso das epístolas de Pedro e da segunda a Timóteo, por exemplo), numa espécie de “piedosa mentira” (?!?!), sendo então concluídos muitos anos depois das datas que os conservadores defendem.

Mas, séculos depois, o fato é que não conseguiram até hoje provar definitivamente suas afirmações, as quais não têm saído do campo das meras conjecturas. Aliás, tais teólogos têm sido mesmo desmentidos e desacreditados por pesquisas e estudos criteriosos feitos até mesmo por não cristãos. E também pela lógica simples e irrefutável de irmãos como aquele humilde mestre da Palavra de Deus…


Oremos pela Janela 10/40

Créditos da imagem: Wikimedia Commons.

“A Janela 10/40 é uma faixa de terra que vai do oeste da África até a Ásia. Subindo, a partir da Linha do Equador, fica entre os graus 10 e 40, formando um retângulo..

Na região vive o maior número de povos não-evangelizados da terra, cerca de 3,2 bilhões de pessoas em 62 países. É ali que estão algumas megalópoles de hoje, ou seja, cidades com uma grande concentração urbana como Tóquio (Japão), Calcutá (Índia), Bagdá (Iraque), Bancoc (Tailândia) entre outras. De cada 10 pobres da Terra, oito estão nessa região, e somente 8% dos missionários trabalham entre eles. É nessa faixa que se concentram os adeptos das três maiores religiões não-cristãs do mundo: islamismo, hinduísmo e budismo.

Na maioria dos países dessa região há falta de receptividade aos cristãos e, em especial, aos missionários que ali atuam. A liberdade religiosa, quando existe, é frágil. Há necessidade de missionários, líderes, pastores e escolas de treinamento para os poucos cristãos existentes. Os crentes precisam ser despertados para uma vida de compromisso com Deus. Há poucos obreiros atuando nos países devido à política de restrições quanto a entrada de missionários. A necessidade de tradução da Bíblia é grande. Os crentes sofrem perseguição e correm risco de vida. A saúde e proteção dos missionários é uma necessidade constante na região chamada de Janela 10/40.”

O texto acima foi extraído do site da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira. Às informações acima a Wikipedia acrescenta que o termo Janela 10/40 foi criado pelo estrategista missionário Luis Bush em 1990, e que o conceito destaca estes três elementos: uma área do mundo com grande pobreza e baixa qualidade de vida, combinadas à falta de acesso a recursos cristãos.

Isso não apenas deve nos levar a orar por esta região, para que o Senhor mande obreiros para a sua seara (Lc 10.2), pois os campos já estão brancos para a ceifa (Jo 4.35), mas também nos fazer refletir: afinal, foi justamente na Janela 10/40 que o cristianismo surgiu e se desenvolveu… Sim, a mensagem do Evangelho chegou primeiro à Índia que à Inglaterra; as Boas Novas foram proclamadas na China antes de o serem no Brasil; e muitos séculos antes de a América do Norte ser evangelizada a Igreja Copta florescia na Etiópia.

Eis aí, pois, uma dupla exortação à oração: por eles e por nós mesmos.

ATUALIZADO (11/11/12 ÀS 16:55)


Véspera de eleição

Logotipo da campanha do TSE por voto limpo nas eleições municipais

Logo do Tribunal Superior Eleitoral para as eleições municipais deste ano

Amanhã, dia do Senhor, é igualmente dia de mais uma eleição municipal. Em todo o Brasil, milhares de candidatos a prefeito e vereador participam de pleitos cujos resultados interessam diretamente a cada um dos milhões de eleitores convocados a votar, entre os quais eu me incluo. Afinal, os rumos das cidades onde moramos está em jogo — e, indiretamente, os do próprio País, pois uma eleição dessas repercute também nas esferas estaduais e federal.

Por outro lado, o sufrágio das urnas repercutirá ainda nas denominações evangélicas, principalmente naquelas abertamente envolvidas no certame (a esmagadora maioria), seja lançando candidatos próprios (“irmão vota em irmão”, dizem, apoiando-se numa exegese tendenciosa de Dt 17.15), seja mesmo apoiando descrentes (desde as eleições presidenciais de 1989 arraigou-se o temor de se colocar no poder políticos que se supõe hostis aos “interesses do povo de Deus”).

No Brasil, política e corrupção, infelizmente, soam à maioria da população como termos sinônimos. Em tese, a atividade política deve pressupor a abnegação e dedicação do detentor do mandato a ele outorgado, como uma causa a que se abraça, tudo em prol do bem-estar e do interesse maior da coletividade por ele representada. E isso se verificou nos exemplos bíblicos de José, Daniel e Neemias, apesar de não terem eles chegado aos seus cargos pelo voto democrático. Contudo, na atualidade, a sucessão de escândalos em todos os níveis têm feito com que tal ideal pareça uma simples quimera em nossa nação.

Porém, dou razão a quem defende que cada povo tem o govern0 que merece. Pois a corrupção na política começa é com pequenos e “inocentes” favores, e.g., de um vereador para com seu eleitor. Ou do congressista para com a igreja que apoiou sua campanha eleitoral, a qual faz do “seu” mandatário, na feliz definição do pastor batista Isaltino Gomes Coelho Filho, um “despachante evangélico”…

De fato, lamentavelmente muitos “irmãos” políticos são parte do problema que infelicita e vicia nossa vida pública, não o “sal” e a “luz”, a benéfica influência cristã que se esperaria que exercessem — mas grande parte dos “crentes” e igrejas são cúmplices deles: compartilham da mesma mentalidade quanto ao trato para com o que é de todo o povo.

A propósito, lembro-me de um triste episódio que testemunhei numa reunião de certa igreja anos atrás. A comunidade ali atravessava delicada situação financeira, agravada com a saída repentina do pastor e a consequente vacância no ministério, a qual perdurou meses. Por isso, foi cogitada a demissão do jovem instrumentista remunerado pela igreja. A questão foi então trazida à assembleia para apreciação e votação pelos membros (o sistema de governo adotado era o congregacional).

Não era hábito da juventude ali participar dessas reuniões, quase sempre cansativas e maçantes, e o seu desinteresse por elas continua até hoje. Mas, quando os jovens e adolescentes souberam que um assunto tão importante para o amigo músico seria tratado naquela ocasião, resolveram então comparecer em massa na assembleia. E o peso dos votos deles foi decisivo: o rapaz terminou mantido na função remunerada.

Agora eu pergunto, irmão leitor: Em que um fato deplorável desses se difere das práticas do parlamentar em Brasília que legisla em causa própria, que dá as costas à sociedade, que é fisiológico e só vota nas matérias de interesse seu ou do seu grupo? Um político desse naipe não é mesmo “a cara” de muitos e muitos eleitores, inclusive daqueles que dizem professar a fé em Cristo e alegam ser nascidos de novo?

Que nessa eleição, portanto, os irmãos em Cristo tenhamos em mente Provérbios 14.34 na hora de votar: “A justiça exalta os povos, mas o pecado é a vergonha das nações”. E isso envolve a vida política nacional.


As portas do inferno não prevaleceram… (2)

Igreja Batista Ressurreição, em Sebastopol (UCR)

Na foto acima, templo da Igreja Batista Ressurreição (Баптист церковь Воскресения, Baptist Cherkov’ Voskreseniya) na cidade ucraniana de Sebastopol. O nome denuncia a influência que os anabatistas exerceram sobre os batistas eslavos, pois a ressurreição era uma doutrina cara àqueles.  Como aconteceu com os primitivos cristãos no Império Romano, o sistema de governo congregacional provou sua superioridade em contextos de dura perseguição religiosa: ao contrário dos grupos episcopalistas que se desfaziam assim que suas lideranças eram aprisionadas, a denominação batista, descentralizada, ainda conseguia se manter operante e ativa na URSS. A igreja em que hoje congrego, a PIB em Carapicuíba-SP, também se chamava inicialmente Igreja Batista Ressurreição, e foi organizada em 1951 por imigrantes eslavos, em sua maioria oriundos da então República Socialista Soviética da Ucrânia. Créditos da imagem: Russianname (Wikimedia Commons).


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