A esposa do pastor

pastor e família

Pastor africano e sua família. Créditos da imagem: Russell Castag (sob Creative Commons)

O meu “post” de hoje pretende tratar dessa figura tão importante para o êxito de um ministro cristão. Tão importante quanto esquecida, é verdade. Tanto que pouco ou quase nada se fala sobre a enorme importância para o jovem vocacionado para o ministério encontrar uma “ajudadora idônea” (Gn 2.18), uma mulher crente regenerada e que também esteja apta a lhe proporcionar efetivo suporte nos labores, agruras e lutas de tão nobre e excelso chamado.

É fato que a Bíblia não exige que o pastor seja casado. Assim, é erro crasso interpretar 1 Timóteo 3.2 (“Convém… que o bispo seja… marido de uma mulher”) como sendo uma exigência de que o ministro tenha uma esposa. Basta lembrar que o próprio autor da epístola, Paulo, era solteiro — como, aliás, solteiro era o próprio destinatário dela. Isso sem falar no Sumo Pastor, Jesus, o qual, em seu ministério terreno, jamais contraiu matrimônio, vivendo vida de celibatário. Ainda, seria grande absurdo exigir de um pastor viúvo que se afaste de suas funções, posto que já não é mais “marido de uma mulher”… Como corretamente o entenderam Crisóstomo e Calvino, na verdade o que o versículo veda é a poligamia, ainda remanescente entre os judeus naqueles tempos.

Voltando à questão crucial que é a escolha de um cônjuge pelo jovem vocacionado, compartilho com meus leitores um trecho do texto “Súplica do Pastor Jovem”, do saudoso pastor batista José dos Reis Pereira, inserido no Vade-Mecum do Obreiro e da Igreja, livro de Ebenézer Soares Ferreira (Rio de Janeiro. Edição do autor, pp. 366 e 367. Agosto de 1973), in verbis:

“Dá-me, Senhor, uma companheira que seja de fato uma ajudadora em todo o meu trabalho, que tenha também espírito de sacrifício e não viva se embonecando como qualquer frívola mundana, nem preocupada com deleites que não os do lar e os de Teu serviço;

que seja piedosa e diligente, ajudando-me quando eu sentir muito grande o peso de minhas obrigações, animando-me quando vir diante de mim turvos os horizontes, corrigindo-me, amorosa, quando minhas tendências despertadas me quiserem desviar do plano correto de conduta, caminhando comigo lado a lado, até o fim, para onde quer que me enviares, sem discutir e sem se rebelar;

que tenha a compreensão necessária para me apontar erros de que me possa desviar e não me induza a concessões que me amolentem o espírito;

que, dedicada e atenciosa, humilde e cheia de desejo de servir, concorra para conquistar o meu povo e atrair almas para Tua igreja;

que não ande metida em intrigas e maledicências, nem faça questão de ser a mais bem vestida na igreja a fim de que por causa dela eu não venha a ser censurado;

que saiba servir e tenha caráter, despreocupada de mundanidades, mas comigo mantendo, até o dia em que me chamares ou a chamares, a mais completa união de vistas;

que saiba comer comigo o pão das lágrimas e arrostar, decidida, o açoite da perseguição sem que venha me lançar em rosto a culpa dessas coisas ou me atormentar com lamúrias e suspiros em lugar de, bem unida a mim, enfrentar bravamente a vida de tal modo que diante das tempestades apareçamos ligados como se fossem um só.”

Finalizando, espero que este meu modesto artigo seja de serventia para meus irmãos que receberam de Deus o chamado para o ministério e ainda esperam se casar. Afinal, “aquele que encontra uma esposa, acha o bem, e alcança a benevolência do SENHOR” (Pv 18.22); e “a casa e os bens são herança dos pais; porém do SENHOR vem a esposa prudente” (19.14).

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3 respostas para “A esposa do pastor

  • Anna Barros

    Mto bom texto e ainda atrevo-me a dizer que esse desejo deveria ser de todos os rapazes cristãos, não só dos que são chamados ao ministério.

    E que Deus capacite a nós, moças cristãs… a sermos verdadeiras “Marias Auxiliadoras” (como diz meu pai), pra glória dEle.

    Abs,
    Anninha

    • Vanderson M. da Silva

      Verdade, Anna! De fato, todos os moços crentes deveriam querer isso. Mas é que, no caso daqueles jovens vocacionados para o ministério pastoral, a impressão que tenho é que não se fala muito sobre os cuidados que devem ter na escolha do cônjuge. Se o moço cristão sem tal chamado já tem que tomar muitos cuidados quanto a isso, que dirá daquele separado por Deus para o ministério!

      Grato pelo elogio! Abs!

  • Haroldo Rodrigues

    verdade pastor dou fe vai e pregue sem parar pastor haroldo marilia sp brasil salmo 45

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